Sempre nos questionamos qual é o mecanismo que faz um sujeito, tido como normal, amarrar um monte de bombas ao corpo, gritar meia dúzia de palavras e explodir como uma bombinha de Cr$ 1.000,00, causando o maior estrago.
Alguns podem dizer que é por causa de religião, ideologia, honra na luta pelo território, mas sempre esquecem de salientar o que realmente move o cara na hora de apertar o botão do foda-se, ops, o botão que explodirá as bombas. Eis que chegamos a verdade.
Bin Laden chega ao voluntário que o espera com a toalha na cabeça, de vestidão branco e inicia o tê tê tê. Diz que ele será mais um dos mártires da causa islâmica, que seu nome estará escrito na galeria de honra dos mulçumanos que lutaram contra as forças do mal. Aí vem a parte importante da história: Que assim morrer, chegará ao paraíso, onde 72 virgens estarão à sua espera. Isso já é um motivo razoável para explodir, pois para encontrar uma virgem é difícil imagine 72. Para um sujeito curioso, já é um estímulo.
Mas, vamos imaginar se o Brasil possuísse terroristas (como se não tivesse). Não tem jeito, esse tipo de argumentação não faria nenhum brasileiro sair explodindo por aí.
Chegava o correspondente do Bin Laden e falaria para o terrorista: Se você morrer, ganhará uma estátua em seu nome, virará nome de rua e chegará ao Paraíso com 72 virgens a sua espera. Não vai rolar.. esquece! O cara vai falar que não quer ser estátua, pois não quer ser imortalizado como privada de pomba. Que não vai ser mais um nome de rua, pois ninguém vai saber quem ele é ou o que fez, correndo o risco de ser uma rua sem saída em uma favela. Finalmente ele não vai para o Paraíso, pois prefere descer na estação Ana Rosa e que virgem é igual ter um videocassete que você pode programar para gravar (lembra). É até legal, mas da um puta trabalho pra usar.
Tudo é uma questão de approach. Se o paraíso dos terroristas brasileiros fosse constituído de um conjunto de zonas onde o homem bomba tivesse VIPs permanentes de bebida e outros tipos de consumíveis, se é que vocês me entendem, as coisas seriam diferentes. Além disso, teria acesso privilegiado a todos os jogos de futebol de seu time de coração. Isso sim é estímulo. Viver da zona para o futebol e do futebol para a zona.
A nossa equipe de redatores já está tentada a iniciar as ações se este tipo de Paraíso existir. Alguns falaram que sorririam para as camêras, apertando a mão do excelentíssimo presidente octopus, antes de explodir, só pelo prazer de matar dois coelhos com uma única cajadada.
Estamos viajando aqui com a possibilidade de poder curtir tudo isso sem os habituais problemas bancários que este tipo de vida pode nos causar, sem ter que pedir alvará de soltura, sem ter que tomar Engov, etc… Um dos caras aqui já comprou uma caixa de fogos 12 tiros e um morteiro e já iniciou experiências com um boneco de posto. O foda é que o cara quer fazer uma sessão de mesa branca com o boneco para ver o que ele vai ver do outro lado. Só tem artista.
